O curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco recebeu ontem (12/11) o jornalista Sérgio Miguel Buarque, Editor Executivo do Diário de Pernambuco (DP). Durante o encontro promovido pelo Co-Relato, o jornalista fez um apanhado da trajetória do "Jornal Mais Antigo em Circulação da América Latina" e previu mudanças radicais para um futuro não tão longínquo do jornalismo impresso em tempos de convergência entre as mídias.
Sérgio Miguel formou-se pela Católica, em 1993. Em 1998, ingressou no DP, na Editoria de Esportes, onde chegou a ser Editor Assistente. Em 2004, assumiu a Editoria de Política, onde trabalhou até abril deste ano, quando se tornou Editor Executivo do jornal. Recebeu prêmios importantes, entre eles o Cristina Tavares de 2005 e o Grande Prêmio da Caixa, no ano passado.
Mudanças
Mudanças
O Editor Executivo do DP explicou que as mudanças já estão em curso nas redações e são conseqüências do surgimento e consolidação do jornalismo on-line, encerrando o ciclo de 24 horas na produção das notícias. Para o editor, agora, o que se espera do jornalismo impresso é, de fato, uma postura mais analítica, porque com a internet o leitor já tem onde buscar a informação a todo momento.
Sérgio Miguel prevê que esse novo jeito de fazer jornalismo impresso exigirá novas competências e promoverá profundas transformações nas rotinas dos profissionais envolvidos na produção da notícia. "No Diário, inclusive, já estamos implantando algumas medidas nesta direção", explica, afirmando que se sente privilegiado por fazer parte desse processo. Um processo que ele entende como inevitável também por uma questão de sobrevivência das empresas jornalísticas no cenário de crescente ascenção da tecnologia digital.
As estratégias para sobreviver, na visão do Editor Executivo do DP, não irão cancelar as bases éticas no exercício da profissão que, para ele, exige o compromisso com o conjunto da sociedade e uma postura humilde do jornalista. "Não há nada mais prejudicial para quem exerce essa profissão do que a arrogância", comentou, alertando para a necessidade de se manter uma auto-crítica permanente nas ações cotidianas dentro e fora da redação.
Bandeiras
Do ponto de vista ideológico, Sérgio Miguel garante que "o jornalismo do Diário de Pernambuco tenderá a levantar bandeiras como vem fazendo ao longo de sua história de 182 anos". E recordou alguns momentos em que o jornal teve uma atuação marcante na história do País. Entre eles, a campanha promovida pelo Diário contra contra a ditadura do governo de Getúlio Vargas, em 1945.
Daquela época, o editor resgatou os momentos emocionantes que cercaram a morte do estudante Demócrito de Souza Filho e do operário Manoel Elias dos Santos, no ato público contra a ditadura varguista. Depois de uma passeata pelas ruas do centro da cidade, os estudantes da Faculdade de Direito seguiram para a Praça da Independência, onde se misturaram à multidão ali presente, para a realização de um grande comício.
Os discursos eram proferidos de uma sacada do prédio-sede do Diário de Pernambuco, jornal com o qual Demócrito colaborava. Durante o discurso do sociólogo Gilberto Freyre, a polícia política de Pernambuco abriu fogo em várias direções. Demócrito de Souza Filho, que estava ao lado de Freyre na sacada do prédio, levou um tiro na testa e caiu dentro da redação do DP. Morreu no hospital, horas depois, aos 24 anos. Manoel Elias, outro entre os vários feridos na ocasião, também não resistiu.
Diário
Fundado no dia 7 de novembro de 1825, O Diario de Pernambuco foi idealizado por Antonino José de Miranda Falcão. No começo, era impresso num prelo de madeira e tinha 4 páginas, de 24,5 por 19 centímetros. Em seu primeiro editorial, o DP declarava-se um simples "diário de anúncios". Hoje, o jornal conta com um dos mais modernos parques gráficos do País e imprime cerca de 70 mil exemplares por hora, com fotos e anúncios. Faz parte dos Diários Associados, grupo criado por Assis Chateaubriand, e trabalha em rede com outros quatro jornais, entre eles, o Correio Braziliense.
Um comentário:
Foi excelente a entrevista de Sérgio! Serviu para nos orientar a respeito do futuro de nossa profissão, e de como devemos agir para entrarmos no mercado de trabalho preparados e com destaque.
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